Mi bebé y yo

Doença celíaca: como pode afetar a gravidez?

( 0 votos) load
facebook twitter whatsapp

Será que a intolerância ao glúten, ou doença celíaca, aporta riscos específicos para a futura mamã e para o bebé que está por nascer? Há alguma maneira de reduzir as probabilidades da mulher transmitir esta intolerância ao seu bebé? Tudo sobre a doença celíaca neste artigo.

Existem cerca de quinze mil diagnósticos de doença celíaca em Portugal e este número parece tender a aumentar. O problema afeta na sua maioria as crianças e jovens, e são muitas as mulheres em idade fértil que se apercebem que têm de conciliar o problema da doença celíaca com a tentativa de engravidar.

A doença celíaca, ou intolerância ao glúten, comporta riscos específicos para as futuras mamãs e para os bebés por nascer? A doença celíaca requer análises, controlos adicionais e tratamentos? A doença celíaca é hereditária? Há alguma maneira de reduzir as probabilidades da mulher transmitir esta intolerância ao seu bebé?

Causas da doença celíaca

Mais do que uma doença, a doença celíaca é uma condição. Como tal, uma vez que se elimina o glúten da dieta, origem de todos os transtornos de que sofre a pessoa celíaca, o seu estado de saúde é igual ao de qualquer pessoa não celíaca.

As origens da doença celíaca são, em grande parte, hereditárias: os filhos de pais celíacos correm um risco elevado, estimado em cerca de 10%, de manifestar, por sua vez, intolerância ao glúten. No entanto, o que se herda é apenas a tolerância genética para a doença celíaca. Outros fatores, ainda pouco conhecidos, contribuem para o aparecimento do problema. Tal é provado pelo facto de que um grande número de pessoas com doença celíaca manifestar os primeiros sintomas em idade adulta, às vezes até em idade avançada, depois de ter passado a sua vida toda a consumir glúten sem sofrer efeitos nocivos.

Sintomas da doença celíaca

Em contacto com a mucosa intestinal de uma pessoa celíaca o glúten, ou mais bem dito, um dos seus componentes chamado gliadina, estimula uma reação desadequada dos linfócitos T, células do sistema imunitário que, por sua vez, libertam moléculas com ação inflamatória. A longo prazo, o processo inflamatório danifica as vilosidades intestinais. A primeira consequência da doença é a má absorção, ou seja, a funcionalidade reduzida da mucosa intestinal, que não é capaz de absorver como deveria as substâncias nutritivas contidas nos alimentos.

A má absorção de cálcio e ferro traduz-se num aumento do risco de osteoporose e de anemia. Nos casos mais sérios, a funcionalidade reduzida do intestino manifesta-se com uma progressiva perda de peso, diarreia e dores abdominais. Com o passar do tempo, se a doença celíaca não for diagnosticada e o glúten não for completamente eliminado da dieta, os estragos na mucosa intestinal podem favorecer o aparecimento de tumores.

Tratamento da doença celíaca

Por enquanto não existe um tratamento para a doença celíaca no sentido de ainda não existir um fármaco que elimine a intolerância ao glúten. As pessoas celíacas são-no durante toda a sua vida. Não obstante, para anular os efeitos negativos da intolerância, basta adotar uma dieta sem glúten. Em pouco tempo, os danos da mucosa intestinal revertem-se e o órgão recupera a sua funcionalidade por completo.

Como é que a doença celíaca pode afetar a gravidez

A doença celíaca, só por si, não influencia de nenhuma forma a fertilidade e não acarreta riscos específicos para a gravidez. É a intolerância não diagnosticada a que representa uma ameaça para as mulheres celíacas que esperam um bebé. A má absorção de substâncias nutritivas no período anterior à conceção e durante os meses de gravidez pode provocar perigosas carências de cálcio, ferro e ácido fólico, com um aumento do risco de malformações do tubo neural, problemas no desenvolvimento ósseo do bebé e anemia. Além disso, os filhos de mulheres com doença celíaca que tomam glúten durante a gravidez correm um maior risco de nascimento prematuro.

Por outro lado, um estudo realizado por investigadores do Policlínico Gemelli em Itália e publicado recentemente no American Journal of Gastroenterology salientou que as mulheres com doença celíaca se não seguirem uma rigorosa dieta sem glúten, correm um risco triplicado de aborto espontâneo nas primeiras semanas de gravidez. Parece que a reação imunitária estimulada pelo contacto do glúten com a mucosa intestinal inibe a capacidade do embrião de se estabelecer e implantar nas paredes do útero. A única medida preventiva capaz de reduzir o risco de aborto espontâneo para a média é eliminar qualquer traço de glúten da dieta pelo menos seis meses antes da conceção, com o objetivo de anular a presença de anticorpos anómalos na corrente sanguínea.

O que se tem de fazer no caso de ter doença celíaca

Sendo assim, é importante que as mulheres que estão a tentar engravidar e suspeitam que podem sofrer de doença celíaca, ou que têm familiares de primeiro grau que são celíacos, discutam este assunto com o seu médico de família e se dirijam a um centro especializado no diagnóstico da doença celíaca. No caso de obter um resultado celíaco, se seguir meticulosamente uma dieta sem glúten não corre qualquer risco em particular e não necessitam, durante a gravidez, de exames suplementares ou tratamentos farmacológicos. Se o diagnóstico se fizer com a gravidez já iniciada, é o médico quem terá de verificar se a má absorção produziu carências de ferro ou cálcio e, se necessário, prescrever suplementos destes minerais. O mesmo acontece se a doença celíaca se diagnosticar depois do parto, no puerpério ou durante a amamentação.

Ao tratar-se de uma condição com uma forte componente hereditária, a doença celíaca pode ser transmitida de mãe para filho como parte da sua herança genética. Para o pequeno, o risco de desenvolver a doença celíaca ao longo da sua vida é de 10%. Por enquanto não foram identificados com certeza comportamentos ou precauções a tomar durante a gravidez ou após o nascimento do bebé para reduzir o risco de que também desenvolva uma intolerância ao glúten. Acredita-se que adiar o mais possível a exposição do bebé ao glúten pode ter um efeito protetor, mas os estudos a este respeito ainda não deram resultados definitivos.

Diagnóstico da doença celíaca

A que se deve o aumento dos novos diagnósticos de doença celíaca nos últimos anos? Realmente os casos de intolerância ao glúten estão a aumentar na população? Numa pequena parte parece que é assim, por razões que ainda se desconhecem. Em grande parte, no entanto, o aumento dos novos diagnósticos de doença celíaca é devido ao maior conhecimento desta condição e ao facto de que hoje em dia um número crescente de pessoas presta atenção aos sintomas da doença celíaca e dirige-se ao médico para fazer exames. Para diagnosticar a doença celíaca é necessário sujeitar-se a um protocolo muito preciso que inclui uma análise de sangue, uma endoscopia e uma biópsia da mucosa intestinal que se deve efetuar num hospital especializado e acreditado.

(Também lhe interessa: Doenças na gravidez)

Para mais informação: Associação Portuguesa de Celíacos (www.celiacos.org.pt)

Também lhe interessa

Doença celíaca: como pode afetar a gravidez? | O meu bebé Qual é a sua opinião?

Tem que se registrar para poder escrever um comentáro ou votar. Pode registrar-se aqui ou, se já tem conta, pode entrar.
ACEDER Á SUA CONTA
Memorizar-me
Entrar
REGISTAR-ME
JUNTE-SE À COMUNIDADE O MEU BEBÉ
REGISTE-SE GRÁTIS

Comentários (0)