O meu bebé

Sexo na gravidez: o que ter em conta

Durante a gravidez podem continuar a usufruir plenamente da vida sexual. E mais! Para algumas mulheres é até mais satisfatória. Há apenas alguns casos nos quais é recomendável a abstinência. A ginecologista e sexóloga Gema García Gálvez esclarece as dúvidas mais frequentes sobre este tema.

Podem manter-se relações sexuais desde o início da gravidez?

Claro que sim, entendendo as relações sexuais como o encontro íntimo no qual damos e recebemos estímulos prazerosos corporais e genitais.

Se pensamos apenas em coito, com ou sem orgasmo, o sexo estaria limitado em situações nas quais existem sinais de ameaça de aborto. Esta orientação é normalmente dada pelo ginecologista, em caso de necessidade.

Quais são os benefícios de praticar sexo durante a gravidez?

Absolutamente os mesmos fora da gravidez. A sexualidade entendida apenas como fim reprodutivo é a que limita as práticas na gravidez.

Hoje em dia conhecemos a influencia positiva que a sexualidade exerce nas relações interpessoais, com um papel de destaque na saúde e bem-estar das pessoas em todas as etapas da vida, maternidade incluída.

Usufruir de uma vida sexual satisfatória durante a gravidez traz um bem-estar físico e emocional significativo para ambos os membros do casal e fortalece o vínculo afetivo.

 sexo na gravidez

É verdade que o sexo na gravidez é mais prazeroso e satisfatório?

Durante o segundo trimestre de gravidez, a maioria das mulheres refere um mior desejo e excitação sexual, dado que diminuem alguns dos sintomas de desconforto típicos do primeiro trimestre, como o cansaço ou os enjoos. Por outro lado, o casal já se adaptou emocionalmente à nova situação e atenuam-se algumas das suas inseguranças iniciais.

Além disso, o aumento do fluxo sanguíneo nas mamas e nos genitais favorece uma hipersensibilidade local que facilita a excitação e a resposta orgásmica.

No entanto, a vivência da sexualidade na gravidez é condicionada pela vivência prévia do casal, pelo momento vital em que ambos se encontram e pela história reprodutiva (abortos prévios, história de esterilidade, etc.).

Quais são as melhores posições sexuais quando se está à espera de um bebé?

Durante a gravidez, o volume do útero dificulta a mobilidade durante o coito. Segundo alguns estudos publicados, a posição do missionário continua a ser a mais usada, embora seja uma das menos recomendadas a partir do segundo trimestre devido ao risco de hipotensão supina se a grávida permanecer de barriga para cima durante muito tempo.

Neste período, recomendam-se posições nas quais a mulher fique em cima ou de lado (a ideal nas etapas finais da gravidez), que permitem à futura mamã repousar a barriga na cama.

Podem usar-se brinquedos sexuais durante a gravidez?

Não há problema em usar brinquedos nos encontros sexuais. Tanto os estimuladores de clitóris como os dildos podem fazer parte do jogo erótico desde que respeitem as medidas de higiene e não existam contraindicações de práticas com penetração.

 

brinquedos eróticos gravidez

Manter relações no terceiro trimestre pode precipitar o momento do parto?

O orgasmo implica contrações da musculatura do pavimento pélvico e do útero. Por este motivo, nas situações médicas nas quais se recomenda repousar, o prudente será evitar o coito, com ou sem orgasmo. Por exemplo, no caso de baixo peso fetal, colo do útero curto com risco de prematuridade ou placenta prévia com risco de sangramento vaginal.

No entanto, se já passou o prazo, aconselha-se manter relações sexuais para estimular as possíveis contrações.

Quais os casos nos quais as relações sexuais são contraindicadas?

Existem sete situações concretas nas quais é melhor absterem-se de manter relações sexuais durante a gravidez. São as seguintes:

  • Suspeita ou confirmação de gravidez ectópica.
  • Ameaça de aborto atual ou história de abortos repetidos.
  • Ameaça de parto prematuro.
  • Insuficiência cervical (colo do útero curto).
  • Sangramento vaginal ativo.
  • Placenta prévia com sintomas.
  • Casal com Doença Sexualmente Transmissível (DST) ativa.

E se não temos vontade de ter relações sexuais? É normal?

O cansaço, a sonolência, o aumento de peso, as dores lombares, os enjoos… Estas mudanças fisiológicas durante a gravidez podem favorecer uma atitude evitativa das relações coitais.

Por vezes é o casal que, devido a determinadas condicionantes como “magoar o outro ou o feto”, se inibe ao sentir movimentos fetais durante o encontro, ou sente que a presença do bebé dentro do útero transforma a relação em algo impróprio.

Estas crenças negativas são limitantes e podem ser faladas.

Nalguns casos, se existiam dificuldades no casal anteriores à gravidez, tal pode ser usado como desculpa para dizer que não há vontade.

Concluindo, é importante comunicar muito bem o motivo da abstinência dentro do casal porque pode ser interpretada como afastamento ou perda de afeto.

Quando é que é aconselhável reiniciar as relações sexuais depois do parto?

Trata-se de algo muito pessoal e que depende do tipo de parto (vaginal ou cesariana) de cada mulher.

Em linhas gerais, a maioria dos casais retomam as suas relações entre cinco e 12 semanas após dar à luz. Se esta situação se prolonga mais de seis meses é melhor procurar ajuda.

Neste aspeto, é importante salientar o benefício de reabilitar o pavimento pélvico e tratar possíveis cicatrizes perineais para dessensibilizar a área genital durante a fricção e coito.

Poder-nos-ia dar alguns conselhos para retomar uma sexualidade satisfatória depois do parto?

  • Desgenitalizar e descoitocentrar a intimidade para recuperar a confiança e minimizar um possível mal-estar genital.
  • Recuperar as práticas sexuais gentis com carícias, contacto pele com pele, jogo erótico, etc.
  • Ter em mente que o sexo não tem de ser orientado para o orgasmo.
  • Fazer uma avaliação do pavimento pélvico e reabilitá-lo se estiver fragilizado.
  • Favorecer o encontro a partir de um estado mais neutro, ser proativa, recetiva e motivar o desejo reativo aos estímulos prazerosos, especialmente se se optar pela amamentação pois, neste caso, o interesse e desejo sexual estarão diminuídos.
  • Agendar momentos em casal de interação positiva e comunicação de sentimentos, expetativas, etc.
  • Não reforçar mensagens com autocrítica negativa em relação à própria imagem corporal. Atenção ao diálogo interno!
  • Retomar a sexualidade com flexibilidade e adaptada ao momento.

 

Gema Garcia  Gema García Gálvez

  Doutora em Medicina e especialista en Ginecologia
  Diretora da Unidad de Suelo Pélvico do Hospital Universitario QuirónSalud Madrid
  Mestre em Sexologia médica pela Universidad EA
  @dragarciagalvez
  @GemaGlvez

 

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Mais informação sobre sexo na gravidez. Que não sobrem dúvidas!

Ficaste com alguma dúvida sobre relações sexuais durante a gravidez? Queres aprofundar mais este tema? Em seguida, oferecemos-te mais conselhos sobre sexo na gravidez, para poderes viver uma sexualidade plena também neste período, sem preocupações nem medos infundados.

É bom praticar sexo durante a gravidez?

Muitos casais renunciam ao sexo na gravidez devido a temores injustificados. Além disso, frequentemente, a alegria dos primeiros dias dá lugar a uma diminuição do desejo sexual. A que se deve? As razões são muitas e dependem tanto do corpo da mulher como das suas emoções:

  • Durante a gravidez, o estado psicológico do casal pode influenciar as relações sexuais.
  • De todos os modos, ao não existir nenhum problema especial, não existem contraindicações que impeçam de manter o sexo durante a gravidez de forma normal. Se os pais estão saudáveis, também não existe o perigo de transmitir doenças ao feto.

casal grávido

O que sente o bebé quando os papás praticam sexo durante a gravidez?

Um casal saudável pode continuar a ter uma atividade sexual completamente normal se que o bebé corra qualquer tipo de riscos. Dentro da barriga da mãe, o bebé está perfeitamente protegido, rodeado pelo líquido amniótico, pelas membranas e, sobretudo, pelas paredes uterinas. O que mais acontece lá dentro?

  • O colo do útero, que está situado no final da vagina, pode exercitar-se durante uma relação sexual, mas tal não costuma implicar perigos.
  • Além de ser robusto, tem um rolhão mucoso com alguns centímetros de diâmetro que sela a entrada do útero. Como tal, é impossível que durante a relação o pénis possa chegar a tocar no bebé.
  • O esperma também não causa danos, pois as abundantes secreções características da gravidez impedem tanto as bactérias como os espermatozoides de subir pela vagina e penetrar no útero. Existe a possibilidade de algum espermatozoide mais resistente conseguir alcançar a bolsa amniótica, mas não pode, de todo, magoar o bebé.
  • Ao contrário do que acreditam muitos futuros pais, o bebé não fica nada incomodado com a atividade sexual dos seus pais. Segundo parece as endorfinas, substâncias produzidas pelo cérebro quando se sente uma sensação agradável, ao circularem pelo sangue da mãe, exercem um efeito calmante no seu sistema nervoso.
  • Também se observou que as contrações uterinas que acontecem quando a mulher atinge o orgasmo não são danosas e, pelo contrário, parecem estimular a atividade motora do bebé.

As relações sexuais podem provocar um aborto?

No caso de aborto espontâneo, não se deve deitar a culpa ao facto de se terem mantido relações sexuais durante a gravidez. Um aborto, na maioria das vezes, é devido ao facto do embrião não se estar a desenvolver corretamente no útero.

Por outras palavras, as relações sexuais não podem afetar o feto de tal maneira que possam chegar a interromper a gravidez se esta se está a desenvolver normalmente.

Quais as melhores posições sexuais e quais as que se devem evitar?

As posições sexuais mais adequadas para manter relações sexuais durante a gestação são aquelas nas quais a penetração é menos profunda e a mamã sente menos pressão na barriga. Por exemplo:

  • A posição de “conchinha”, os dois deitados de lado e o homem por trás.
  • A posição com a mulher em cima.

Por outro lado, devem evitar-se:

  • A posição do missionário, a clássica, com a mulher deitada e o homem em cima (especialmente a partir do segundo trimestre de gravidez).
  • A posição “canzana”, na qual a mulher está de quatro e o homem penetra por trás, já que a profundidade da penetração é considerável, o que poderia causar mal-estar.

 

casal sexo gravidez

Quando é que é preciso evitar o sexo durante a gravidez?

Em primeiro lugar, há que dizer que o sexo não é apenas penetração. Quando falamos de evitar o sexo na gravidez, referimo-nos a evitar a penetração, basicamente. No entanto, o casal pode continuar a praticar sexo oral e trocar carícias e mimos íntimos. Quais os casos nos quais se evita a penetração?

  • A futura mamã deve prestar atenção à forma como o seu corpo reage durante e imediatamente após manter relações sexuais durante a gravidez.
  • Durante as semanas seguintes a uma ameaça de aborto com perdas de sangue ou intensas contrações do útero. O casal deverá evitar o sexo até que o ginecologista “suspenda” a proibição.
  • Se a mulher foi sujeita a uma operação cervical ou quando o colo do útero foi fechado com um “nó”, praticado expressamente pelo ginecologista para impedir a dilatação.
  • Quando o ginecologista teme que haja uma ameaça de parto prematuro durante o terceiro trimestre.
  • Se o médico diagnosticou uma placenta prévia na gravidez, o que significa que esta se implantou parcialmente ou por completo em cima do colo do útero. Neste caso, a relação sexual poderia provocar a sua separação.
  • Durante os últimos três meses no caso de gravidez de gémeos porque poderia provocar um parto prematuro.
  • Quando um dos membros do casal contraiu uma infeção de possível transmissão sexual.

O que ter em conta no sexo consoante o trimestre de gravidez?

À medida que a gravidez avança, é possível que o volume da barriga e outros inconvenientes que podem aparecer ao longo da gestação influenciem também as relações sexuais do casal, tanto a nível físico como, especialmente, psicológico.

Em qualquer dos casos, em geral, existem diferenças relacionadas com a forma como se vivem as relações, em função do trimestre de gravidez em que estás.

Sexo no primeiro trimestre de gravidez

  • O casal pode ter relações sexuais com toda a liberdade durante os três primeiros meses de gravidez, a menos que exista alguma contraindicação do ginecologista.
  • Os principais incómodos são a nível do aspeto físico, devido às grande mudanças hormonais que estão a acontecer: enjoos, cansaço, primeiras preocupações, etc.

Sexo no segundo trimestre de gravidez

  • Em geral, é o melhor trimestre para desfrutar do sexo. A mamã já está muito melhor, o desejo sexual costuma aumentar e o volume da barriga não é suficientemente grande para provocar um grande desconforto.

Sexo no terceiro trimestre de gravidez

  • No terceiro trimestre de gravidez, o tamanho do bebé e da barriga é considerável, e o sexo pode ser desconfortável. Neste momento, podem procurar-se alternativas à penetração, como vimos anteriormente.
  • Há que ter em conta que o sémen contém prostaglandinas, uma substância capaz de provocar contrações e desencadear o parto. De facto, quando o tempo chegou ao fi e o parto não começa, a relação sexual pode ser uma forma de o desencadear em alguns casos. De todos os modos, é bom ter sempre cuidado e manter as relações sexuais de forma delicada.

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