O meu bebé

Especialistas declaram que as crianças adoecem de forma mais leve quando infetadas com coronavírus. Porquê?

Pediatras e especialistas declararam em vários momentos que as crianças parecem ser mais resistentes ao Covid-19 e que os que se contagiam apresentam sintomas leves da doença. Porquê? O presidente da Sociedade Italiana de Pediatria esclarece estas dúvidas.

Em geral, embora exista uma baixa percentagem de crianças que apresentaram sintomas mais graves de coronavírus, a maioria delas, por todo o mundo, ou não se contagiou ou, no caso de ter sido contagiada, apresentou sintomas leves. Porquê? Pediatras e virologistas de diferentes países declararam em vários momentos que as crianças parecem ser mais resistentes à doença.

China, o país mais afetado pela epidemia, apresentou poucos casos de crianças com Covid-19 e, segundo os estudos epidemiológicos, não houve mortes entre os mais jovens. Alberto Villani, presidente da CoronavírusCoronavírus e crianças: as perguntas dos pais, explica que em Itália, o país europeu mais afetado pela doença até ao momento, também não se verificaram casos de sintomatologia grave em crianças.

“Até agora não houve mortes em menores de 10 anos devido ao coronavírus e o vírus teria apenas cerca de 0,2% de letalidade entre menores de idades compreendidas entre os 10 e os 19 anos. De facto, até esta data, apenas houve notícia de um caso crítico de uma criança de 15 anos em Itália”, afirma Villani.

O sistema imunitário das crianças responde melhor à infeção

A comunidade científica ainda não encontrou uma resposta fiável ao porquê das crianças parecerem estar mais protegidas face à doença. Não obstante, Villani explica que alguns especialistas pensam que se pode dever ao facto do coronavírus, como muitos outros vírus, atacar de forma mais agressiva certos grupos etários, neste caso a população com mais de 65 anos e com patologias prévias.

“Há muitos vírus que são muito agressivos apenas em alguns grupos etários. Pensemos na varicela, por exemplo, que afeta principalmente crianças e é uma doença que se pode tratar facilmente. Também a bronquiolite, que afeta especialmente os bebés durante os primeiros meses de vida. Como tal, não é raro que certos vírus ataquem por grupos de idade”, explica Villani.

Assim, e segundo os especialistas, pode considerar-se um facto verificado que as crianças são menos afetadas pelo coronavírus e, ao serem-no, apresentam uma sintomatologia mais leve do que os adultos.

“Sabemos que os coronavírus são a causa mais frequente de gripes e que as crianças enfrentam repetidamente infeções por coronavírus. É possível que a resposta imunitária às várias infeções por coronavírus que afetam as crianças possa ajudá-las a defender-se melhor do Covid-19”, afirma Villani.

(Também te interessa: CoronavírusCoronavírus e crianças: as perguntas dos pais)

Também os surtos de SARS e MERS afetaram menos as crianças

Mesmo sendo verdade que as crianças respondem melhor à doença, não se deve baixar a guarda, pois podem existir casos de reações mais graves. E não se podem esquecer as crianças com doenças que afetam o seu sistema imunitário, como a leucemia, com quem se devem tomar precauções especiais para evitar o contágio.

Villani e outros especialistas afirmam que já em surtos anteriores, com o SARS e o MERS, as crianças se salvaram e apresentaram sintomas muitos mais leves do que os adultos. No caso do SARS, que de 2002 a 2003 afetou mais de 8.000 pessoas no mundo, matando 774, apenas se comprovaram 80 casos de infeção entre crianças. Nenhum faleceu. No caso do surto de MERS na Arábia Saudita em 2012 e na Coreia do Sul em 2015, a maioria das crianças contagiadas nunca desenvolveu sintomas.

 

Também lhe interessa…