O meu bebé

Ansiedade por causa do Coronavírus na gravidez: como a podemos controlar?

Mesmo em condições normais, a gravidez e o parto podem suscitar algumas dúvidas e preocupações, que se tornam mais intensas com esta situação difícil que vivemos. Respondemos às perguntas mais frequentes, com a ajuda de especialistas, relacionadas com a ansiedade face ao Coronavírus.

“É compreensível que as futuras mamãs estejam preocupadas numa situação de alarme geral como a que estamos a viver”, diz Claudia Ravaldi, psiquiatra e psicoterapeuta italiana, que nos ajuda a responder às dúvidas das grávidas acerca da ansiedade que a crise sanitária do Covid-19 está a provocar.

Durante a gravidez, a mulher encontra-se num estado fisiológico de maior alerta. O stress ao qual estamos expostos nestas semanas pode transformar o alerta em ansiedade, que é preciso conter, para evitar que acabe por ser prejudicial.

Fazemos as perguntas mais comuns das futuras mamãs neste sentido e oferecemos-te conselhos para preservar o teu bem-estar mental e controlar a ansiedade provocada pelo Coronavírus.

Em casa fico angustiada e perco a noção do tempo. O que posso fazer para combater a ansiedade provocada pela crise do Coronavírus?

Sem sair de casa, com poucas distrações, num contínuo “bombardeio” de notícias alarmantes, anúncios, desmentidos, fake news… Todos estamos expostos a um grande medo coletivo, que é uma fonte de stress. O que fazer?

  • Em primeiro lugar, é preciso evitar a sobrecarga de estímulos sobre a pandemia: nas transmissões televisivas e nas redes sociais não se fala de outra coisa.
  • É recomendável manteres-te informada sobre questões essenciais, apenas de fontes fidedignas, porque a informação correta ajuda a conter a ansiedade devida ao Coronavírus. Informa-te sobre o básico, mas muda de tema assim que possível.
  • As grávidas desenvolvem um forte instinto de cuidado, mas é importante concentrares-te nas sensações que estás a viver na tua esfera pessoal, nos movimentos do bebé, se já os conseguires sentir.
  • Já que não podes receber visitas, faz chamadas ou videochamadas com os teus amigos e familiares, para que também possam ver como a tua barriga está a crescer.
  • Se a tua ginecologista ou o teu centro de saúde organizar encontros à distância com outras futuras mamãs, aproveita para sair, ainda que virtualmente, dos limites da tua casa.
  • O isolamento pode levar a um desajuste dos horários: vamos para a cama mais tarde e também acordamos mais tarde de manhã. É preciso fazer um esforço por manter os hábitos familiares, para evitar alterações do sono que, entre outras coisas, podem influenciar negativamente o metabolismo dos açúcares, um tema especialmente delicado durante a gestação.
  • De qualquer modo, a atividade física é importante. Como não se pode sair, a casa, ou se tens uma varanda ou um terraço, transforma-se no espaço onde vais praticar exercício: yoga, pilates, ginástica suave… Dedica-te a uma atividade adequada à tua gravidez e gera endorfinas, que vão melhorar o teu humor.

Fico preocupada com o facto de não poder ir às consultas de acompanhamento e aos exames programados no hospital, devido ao colapso

Confia nos serviços de saúde, não estás abandonada à tua sorte. Se o teu ginecologista te diz que o exame que tens marcado se pode adiar, trata-se de uma boa notícia: significa que a tua gravidez é de baixo risco e está a evoluir sem problemas.

E no que respeita aos exames de diagnóstico pré-natal que se devem realizar em datas concretas, para intervir a tempo, caso haja necessidade?

Se um centro de saúde ou um hospital não pode respeitar as consultas programadas por motivos de organização, vão certamente entrar em contacto contigo para te darem novas indicações. Se tiveres dúvidas, ou estiveres preocupada com alguma coisa, podes ligar, vão dar-te toda a informação de que necessitas.

Tenho medo de ir ao hospital para fazer exames. E se sou contagiada?

Ir aos hospital durante estas semanas pode ser uma fonte de alarme e preocupação: entradas separadas, recolher obrigatório, cartazes que anunciam normas de segurança, pessoal sanitário protegido com máscaras e luvas…

  • Se o cenário fora do habitual de impressiona, pensa que as medidas de segurança adotadas servem para proteger a tua saúde e representam um sinal de atenção face aos usuários.
  • Embora não possas ver a cara dos profissionais, podes ouvir a sua voz, comunicar as tuas dúvidas e fazer-lhes perguntas. Devemos inventar novas formas de comunicação.
  • A melhor forma de controlar a ansiedade causada pelo Coronavírus, o medo do contágio, é seguir as normas de segurança a esse respeito: manter o distanciamento social, tocar objetos ou mobiliário o menos possível, lavar as mãos frequentemente com água e sabão e não tocar na cara.

Não estou bem. E se estou infetada?

Uma mensagem tranquilizadora: a experiência adquirida até à data com o novo vírus diz-nos que as grávidas não correm um perigo maior do que a população em geral. Na maioria dos casos, têm sintomas leves e a gravidez desenvolve-se sem problemas para o bebé.

  • Dito isto, face à presença de sintomas suspeitos serve a recomendação geral de não ir diretamente para as urgências. O melhor para a futura mamã é ligar ao seu médico e descrever os sintomas. O profissional que conhece o teu historial médico e faz o seguimento da tua gravidez vai acalmar-te e dar-te as indicações necessárias acerca de como proceder.
  • Além disso, tenta focar-te num ponto de vista positivo: come de forma saudável, descansa e cuida do teu bem-estar. Ouve os sinais mais bonitos, os que o teu bebé te manda dentro de ti. Se te ajudar, escreve um diário.

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Imaginei o nascimento do meu bebé muitas vezes, mas agora não sei em que condições o vou viver…

É verdade que a situação que estamos a viver nos obriga a modificar quase tudo o que tínhamos planeado. Para te tranquilizar neste sentido, o melhor é informares-te previamente via telefone sobre a situação que vais encontrar quando fores dar à luz no hospital escolhido. A informação prepara e tranquiliza.

  • Há hospitais que não permitem o acesso à sala de partos aos futuros pais. É uma circunstância que pode desorientar e assustar. No entanto, podes ter a certeza de que os profissionais de saúde farão o possível para estar ao teu lado, não só do ponto de vista médico, mas também humano.
  • Informa-te acerca da possibilidade de comunicares telefonicamente com o pai durante a dilatação, pois já o permitem em alguns hospitais.

E se estiver contagiada por Coronavírus no momento do parto? Separam-me do meu bebé?

No início da emergência, quando ainda não estavam claros os riscos para os recém-nascidos de mães positivas, em alguns hospitais os bebés eram separados das suas mães logo após o nascimento, para os proteger do contágio. Hoje sabemos que, adotando as medidas apropriadas, não é necessário separar a mamã positiva do bebé. Esta informação foi declarada de forma oficial pela OMS. O que se deve ter em conta?

  • O contacto pele a pele e o início imediato da amamentação são possíveis e não fazem mais do que beneficiar o bebé, apesar da mãe estar infetada. O mais importante é a mamã lavar as suas mãos com frequência, não tocar na cara e ter sempre uma máscara.

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  • É imprescindível que a grávida positiva, ou com suspeitas, informe o hospital antes de ir dar à luz para que os profissionais de saúde se possam preparar com as proteções adequadas e para que a mantenham separada de outras mamãs.
  • Se tens dúvidas sobre como se irá desenrolar o parto, fala com os profissionais de saúde, pergunta ao teu médico ou enfermeiro. Com a informação adequada vais construir expetativas realistas que te vão tranquilizar.

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