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Barrigas de aluguer: será que sabemos o suficiente?

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No número de junho da nossa revista O meu bebé, em Espanha, debruçámo-nos sobre o fenómeno das barrigas de aluguer. Depois da publicação do referido artigo, escreveu-nos um pai com a sua reflexão sobre este assunto. Conheça a sua perspetiva!

Na nossa secção “A minha opinião” da revista O meu bebé, do passado mês de junho, fizemos um inquérito para conhecer a opinião das mães sobre a prática, cada vez mais difundida em países como os Estados Unidos, das barrigas de aluguer para aqueles casais que, por diversos motivos, não podem ter filhos.

Na sequência desta publicação, recebemos a opinião de um pai que foi pai recentemente com recurso a esta prática e que quis rebater a opinião de algumas das mães que participaram na referida secção. O seu texto fez-nos refletir bastante sobre o tema e acreditamos que as suas palavras terão um efeito muito esclarecedor e informativo. Eis o que nos escreveu:

Barriga de aluguer vs. maternidade de substituição

“O meu nome é Ángel e sou pai de um menino nascido em janeiro, nos Estados Unidos, através de uma ‘barriga de aluguer’, como é vulgarmente chamada a maternidade de substituição. Causa-me uma enorme tristeza ouvir as pessoas dizerem a palavra “aluguer” quando se referem a este tema, como se falassem do aluguer de um carro ou de uma casa na praia.

Na realidade fiquei muito contente de que se falasse deste tema em O meu bebé, mas pareceu-me muito mal o uso da expressão “barriga de aluguer” quando há outras mais corretas, como a que referi anteriormente.”

E acrescenta: “Em primeiro lugar devo dizer que a maternidade de substituição não tem nada a ver com a adoção ou as famílias de acolhimento. É certo que os prazos da adoção são muito longos, mas, ainda que fossem mais curtos, teríamos recorrido de igual modo à maternidade de substituição porque tenho a certeza que qualquer pessoa gostaria de ser pai, ou mãe, biológico de uma criança.”

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Mitos contra a gestação de substituição 

“E, focando-me nos não partidários, irei contestá-los, um a um:

Mãe 1: Creio que há outra opção melhor, que é a adoção. Tem de se parar de fazer comércio com o corpo da mulher.

 

A adoção é uma melhor opção? Melhor, para quem? A senhora sabe o que é melhor para mim? Se posso ser pai biológico de uma criança, adotar é a melhor opção?! Porque não adota a senhora, além de ter os seus próprios filhos biológicos? E, quanto ao que me parece mais desproporcionado: fazer comércio com o corpo da mulher? Para mim é ofensivo que digam que “fazemos comércio” com o corpo de uma mulher, quando essa mulher (a gestante ou substituta), que nos está a ajudar a realizar o nosso sonho de ser pais, o faz com todo o gosto… Cobra por esse ato, sim, mas não é qualquer mulher que pode ser substituta. Tem de passar por “filtros” e um deles é que o seu nível económico não pode ser baixo, para evitar que haja mulheres que o façam em desespero por necessidades económicas.

As substitutas são mulheres que não precisam desesperadamente desse dinheiro para sobreviver. O fator económico é importante para elas, se dissesse que não, estaria a mentir (o que é doce nunca amargou…), mas não é um fator essencial. E falo por experiência própria, se a senhora conhecesse a “mãe” de substituição que deu à luz o meu bebé, iria saber do que falo…

Mãe 2: Ponho-me no lugar daquelas que aceitam ser barrigas de aluguer. Certamente sofrem bastante, sabendo que esse filho que levam dentro não é seu e que não o irão ver nunca mais. Digo isto porque tenho um filho que é a minha maior alegria. Não seria capaz de o dar nem por todo o dinheiro do mundo.

Elas estão preparadas para o fazer e, além disso, recebem apoio psicológico ao longo de toda a gravidez. Quem o faz é porque está esclarecido. E quanto ao não ver mais a criança, é só se os pais, ou ela própria, não o quiserem. Há a opção de continuar em contacto com ela, como é o nosso caso. Eu digo que é a tia do meu filho, cria-se um vínculo difícil de explicar. E, muitas vezes, eu e a minha mulher mandamos-lhe fotos e vídeos do bebé. Ela está muito orgulhosa com o que fez e faria o mesmo mil vezes mais.

Mãe 3: Acho antinatural e uma escravatura para as mulheres dos países pobres.

 

Escravidão das mulheres dos países pobres? Mas você sabe do que está a falar? Primeiro, não é escrava de ninguém, não está presa com correntes e grilhões… Ela faz a sua vida normal, nós é que temos de custear todas as despesas que pressupõe a gravidez, e não falo apenas das despesas médicas. Tem de se pagar uma baby-sitter se ela precisar de deixar os filhos com alguém, para ir a uma consulta, pagamos as despesas da ida ao médico, (transportes e alimentação), toda a roupa pré-mamã de que precisar, uma empregada doméstica se ela não puder fazer as limpezas, por estar de repouso… até mesmo, no meu caso, a empresa que oferecia os seus serviços organizava, um domingo por mês, festas, almoços, excursões e um SPA… tudo pago por nós.

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Gravidez de substituição ou adoção?

Mãe 4: Penso que há maneiras mais éticas de serem pais, como a adoção ou o acolhimento. E, se esta opção não os convence, por não serem filhos do mesmo sangue, não há problema em não terem filhos. Há que aceitar o destino de cada um e compensar esta falta com outras vivências e experiências.

 

Maneiras mais éticas de se ser pai? Não há problema se não se tiver filhos?! Aceitar o destino?! Não vou falar outra vez da adoção e do acolhimento, porque não têm nada a ver com a gravidez de substituição. Nem sequer vou dar importância às palavras desta senhora porque deve ser uma freira, fechada num convento de clausura e ninguém pode dar o que não tem! Ou é isso, ou esta senhora pôde ser mãe sem problemas e não vê mais além do seu umbigo… e vive ainda no séc. XV!

Mãe 5: Há milhões de pequenos seres que já nasceram e que precisam de uma família…

 

Porque não lhes dá a senhora uma família, a esses pequenos seres já nascidos? Pois eu respondo-lhe já: porque a senhora tem a sorte poder ter filhos biológicos com o seu companheiro. Tenho amigos que estão em lista de espera para poder adotar, sendo esta espera de 6 a 7 anos. E querem muito dar uma família a esses pequenos seres. Numa das entrevistas para adoção a que fui, perguntei o porquê de uma espera tão demorada, e sabe qual foi a resposta? Eu estava à espera que me dissessem que não havia crianças suficientes para tantos interessados em adotar… mas NÃO, a resposta foi que a adoção demora por causa da papelada e dos trâmites burocráticos que acarreta, vergonhoso! É muito fácil dar palpites, mas eu gostava de saber o que faria se estivesse na minha situação e tivesse uma hipótese de ter filhos biológicos… pelo menos através da gestação de substituição.”

E acrescenta: “Deveriam perguntarse a si mesmos, antes de dar opiniões: o que é que leva estas pessoas a gastar rios de dinheiro, a hipotecar a sua vida, em alguns casos chegam a ter de se vender carro e casa, a viajar milhares de quilómetros para outro país, a passar a gravidez afastados do seu bebé, etc.? Só queremos ser pais tal como você. Cada caso é um mundo, e por detrás de cada caso há uma doença que não permite a maternidade, uma infertilidade, uma negligência médica, um acidente que comprometeu a sua capacidade de ser mãe, etc. Ninguém faz isto por gosto, todos queríamos ser pais de uma forma natural com a nossa companheira grávida, mas há quem não tenha essa sorte e a gravidez de substituição é a solução e a esperança para concretizar o sonho de sermos pais.”

O que pensa desta experiência e da opinião deste pai? Deixe o seu comentário no final deste artigo!

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